A Prefeitura de Campinas reforçou a preparação dos serviços públicos para atender famílias atingidas por chuvas intensas, alagamentos, incêndios, ondas de calor e outras situações de emergência. Nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, profissionais de diferentes áreas da administração municipal participaram de um seminário sobre proteção social, financiamento e integração das equipes responsáveis pelo atendimento à população.
O encontro aconteceu no Salão Vermelho do Paço Municipal e reuniu representantes da assistência social, Defesa Civil, Habitação e outros setores da Prefeitura.
Durante a atividade, a secretária municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro, reforçou uma orientação importante: em situações de emergência, a população deve acionar primeiro a Defesa Civil pelo telefone 199.
O seminário ocorreu seis dias após o início antecipado da Operação Chuvas de Verão, que começou em 14 de outubro e seguirá até 31 de março de 2027.
Defesa Civil deve ser acionada pelo telefone 199
Um dos principais assuntos discutidos foi o fluxo de atendimento às famílias afetadas por desastres e emergências.
Segundo a Prefeitura, os pedidos de socorro devem ser direcionados inicialmente à Defesa Civil, responsável por avaliar a ocorrência e mobilizar as equipes necessárias.
A secretária Vandecleya Moro explicou que o acionamento da assistência social deve ocorrer após a avaliação da Defesa Civil, garantindo condições adequadas de segurança aos profissionais.
“É a Defesa Civil que avalia a ocorrência e aciona as equipes da assistência social. Muitas vezes as pessoas, por falta de conhecimento, e até mesmo os serviços, procuram acionar direto a assistência social. Aconteceu algo, aciona a assistência social. Não é esse o fluxo. O fluxo começa pela Defesa Civil. É a Defesa Civil que tem que fazer o nosso acionamento, para que nós possamos ir com segurança, entendendo o que está acontecendo”, afirmou.
A orientação busca organizar a resposta do poder público e evitar deslocamentos inadequados durante situações de risco.
Para registrar uma ocorrência de emergência junto à Defesa Civil de Campinas, o telefone é 199.
Campinas atendeu 180 famílias em emergências durante 2025
Durante o seminário, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social apresentou dados dos atendimentos realizados nos últimos anos.
Em 2025, o serviço registrou 101 ocorrências e atendeu 180 famílias.
Entre os principais motivos dos acionamentos estavam inundações e enchentes, responsáveis por 20% dos registros, e incêndios urbanos, com 14,3%.
Situações de insalubridade ou vulnerabilidade extrema representaram 12% das ocorrências, enquanto os alagamentos corresponderam a 11,4%.
Os números também mostram crescimento no total de famílias atendidas em relação a 2023.
Naquele ano, foram registradas 84 famílias atendidas. Em 2024, o número chegou a 173, antes de alcançar 180 em 2025.
Os dados foram divulgados pela Prefeitura durante a apresentação sobre a atuação da assistência social em situações de calamidade.
Famílias atingidas recebem alimentos, colchões e itens essenciais
As equipes municipais oferecem diferentes formas de assistência às pessoas que precisam deixar suas casas ou enfrentam situações de vulnerabilidade provocadas por emergências.
Entre os itens disponibilizados estão colchões, cobertores, roupas de cama e kits de higiene e limpeza.
As famílias também podem receber o cartão Nutrir Emergencial, destinado à compra de alimentos.
Segundo a Secretaria, o benefício pode ser concedido por até três meses, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.
Em 2025, o município contabilizou 48 atendimentos com kits de calamidade e a entrega de 101 cartões Nutrir Emergencial.
O atendimento é realizado pelo Serviço de Proteção Social em Situações de Emergência e Calamidade Pública, ligado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social.
A estrutura funciona 24 horas por dia, com equipe de referência durante o expediente e profissionais de sobreaviso a partir das 17h.
Operação Chuvas de Verão foi antecipada para outubro
A Operação Chuvas de Verão de Campinas, inicialmente prevista para começar em 1º de dezembro, foi antecipada para 14 de outubro de 2026.
As atividades estão programadas para continuar até 31 de março de 2027.
A operação reúne diferentes órgãos municipais para prevenir riscos e organizar respostas a ocorrências relacionadas às condições climáticas.
Neste ano, o planejamento também considera possíveis efeitos do fenômeno El Niño, associado a alterações nos padrões de temperatura e precipitação.
Segundo a Prefeitura, a antecipação permite que as equipes municipais iniciem com maior antecedência as ações de monitoramento, prevenção e atendimento.
A Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social integra o comitê municipal responsável pela operação e participa da organização do acolhimento provisório às famílias afetadas.
Ondas de calor preocupam Defesa Civil de Campinas
Durante o encontro, o diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, destacou que as temperaturas elevadas também exigem atenção das equipes municipais.
“O que nos preocupa muito este ano serão as ondas de calor”, afirmou.
O diretor também mencionou as notificações de arboviroses, como a dengue, que podem ter sua transmissão influenciada por condições ambientais favoráveis à proliferação dos mosquitos transmissores.
De acordo com a apresentação, o plano de contingência federal relacionado ao El Niño considera, para a região Sudeste, riscos associados a temperaturas acima do normal, restrição hídrica e queimadas.
Em Campinas, a Defesa Civil possui protocolos de ação relacionados ao calor, organizados a partir de patamares de temperatura de 30 °C, 32 °C, 35 °C e 37 °C.
Esses parâmetros integram o planejamento municipal para situações de temperaturas elevadas.
Vandecleya Moro também ressaltou que os efeitos das emergências costumam atingir com maior intensidade as pessoas em situação de vulnerabilidade.
“O evento é aleatório. Seja o calor, sejam as chuvas, sejam incêndios, como a gente tem visto. Mas as consequências, os desastres, não são aleatórios. Eles atingem principalmente as famílias que estão em situação de vulnerabilidade”, declarou.
Abrigo Zilda Arns tem capacidade para 30 pessoas
Outro tema abordado foi o acolhimento provisório de famílias que precisam deixar suas residências em razão de situações de risco.
O Abrigo Emergencial Zilda Arns é a unidade de referência de Campinas para esse tipo de atendimento.
Desde 2025, o serviço funciona em um imóvel no Jardim Santa Genebra, com capacidade para 30 pessoas.
De acordo com a secretária, o acolhimento tem caráter temporário e deve estar articulado às ações da Secretaria Municipal de Habitação.
Durante o seminário, Vandecleya explicou que o encaminhamento das famílias ao abrigo está vinculado ao reconhecimento do direito ao auxílio-moradia, conforme o fluxo apresentado pela administração municipal.
“Para ir para o abrigo, a pessoa tem que ter recebido o direito ao auxílio-moradia, assim terá um destino certo quando deixar o local”, afirmou.
O auxílio-moradia é destinado a famílias de baixa renda que necessitam sair de imóveis localizados em áreas de risco, de acordo com os critérios do programa.
A Secretaria Municipal de Habitação participou do encontro por meio de Elias Azevedo, diretor do Departamento de Monitoramento e Medidas Sócio-Habitacionais.
Atendimento social continua após o fim da emergência
A Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social destacou que o trabalho com as famílias não termina quando a situação de risco imediato é controlada.
Após o atendimento emergencial, os responsáveis pelos serviços devem manter o acompanhamento das pessoas que necessitam de proteção social.
Esse acompanhamento pode envolver os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e outras estruturas do Sistema Único de Assistência Social (Suas).
Durante o seminário, a secretária apresentou seis eixos de atuação: gestão administrativa e orçamentária, articulação entre órgãos públicos, acolhimento, benefícios, trabalho social com famílias e vigilância socioassistencial.
A vigilância socioassistencial utiliza informações sobre os territórios e a população para orientar o planejamento de políticas públicas e ações preventivas.
O município também conta com o BEM Campinas, programa de benefícios eventuais instituído por lei em 2022 e regulamentado em 2023.
O programa contempla modalidades relacionadas a nascimento, morte, vulnerabilidade temporária e calamidade pública.
Segundo Vandecleya, a modalidade específica de benefício eventual para calamidade pública não precisou ser utilizada desde a pandemia de covid-19.
Governo federal prevê novos recursos para situações de calamidade
O financiamento das ações emergenciais foi um dos assuntos centrais da programação.
O assistente social Lucas Ravacci, representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), participou do primeiro painel, dedicado à proteção social em situações de calamidade.
“A assistência social trata do serviço de calamidade pública e de emergências, mas não deve atuar sozinha”, afirmou.
Segundo as regras federais apresentadas durante o seminário, o financiamento das ações emergenciais passou por mudanças em 2026.
Para metrópoles como Campinas, foi informado um repasse fixo de R$ 250 mil por evento, acrescido de R$ 400 por pessoa desabrigada acolhida, desde que cumpridas as condições exigidas.
Os recursos poderão ser utilizados para custear abrigos, alimentação, colchões, cobertores e equipes de atendimento.
Por outro lado, benefícios eventuais e auxílio-moradia continuam sob responsabilidade do município, conforme as regras apresentadas.
O acesso ao financiamento depende do reconhecimento da situação de emergência pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e da adesão prévia do município, aprovada pelo Conselho Municipal de Assistência Social.
Em Campinas, o termo de adesão foi encaminhado ao conselho em setembro. O prazo nacional informado para a adesão termina em 31 de dezembro de 2026.
Prefeitura estuda criar setor permanente para emergências
Durante o encontro, Vandecleya Moro também anunciou o compromisso de estruturar uma área permanente de atendimento a emergências dentro da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social.
A proposta é criar um setor com chefia e equipe própria, oferecendo continuidade institucional às ações de proteção social.
“Hoje a gente fala de uma área, mas há um compromisso de tornar essa área um serviço, que a gente tenha na estrutura da secretaria, com uma chefia de setor, com os servidores, para que a gente possa ter algo perene, que continue”, afirmou.
A medida está alinhada às orientações do MDS para a organização dos serviços municipais de assistência social em situações de emergência.
A proposta ainda foi apresentada como compromisso administrativo, sem data de implantação informada.
Seminário reúne diferentes áreas da Prefeitura
O evento foi organizado pelo Serviço de Proteção Social em Situações de Emergência e Calamidade Pública, sob responsabilidade da assistente social Edna de Carvalho de Lara, técnica de referência da área.
A programação reuniu gestores e profissionais responsáveis pelo planejamento, financiamento e execução dos atendimentos.
O segundo painel discutiu a preparação, a resposta às emergências e a articulação entre diferentes setores do poder público.
Esta foi a segunda edição do seminário promovido pelo serviço. A primeira ocorreu em novembro de 2024.
O encontro contou com apoio da Fundação Feac.
Como pedir ajuda em situações de emergência em Campinas?
Em casos de ocorrências como alagamentos, enchentes, incêndios e outras situações de risco, a orientação apresentada pela Prefeitura é acionar inicialmente a Defesa Civil.
Telefone da Defesa Civil: 199.
A partir da avaliação da ocorrência, o órgão poderá mobilizar os demais serviços municipais necessários, incluindo as equipes da assistência social.
O atendimento pode envolver acolhimento provisório, fornecimento de itens de primeira necessidade, apoio alimentar e encaminhamento para acompanhamento socioassistencial, conforme as necessidades identificadas e os critérios de cada serviço.
Operação Chuvas de Verão 2026/2027
Início: 14 de outubro de 2026.
Término previsto: 31 de março de 2027.
Órgãos envolvidos: Defesa Civil, assistência social, Habitação e demais áreas municipais responsáveis pelas ações de prevenção e resposta.
Telefone para registrar ocorrências: 199.
Fonte Prefeitura de Campinas — Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social
