segunda-feira, 19 de outubro de 2026
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Mobilidade · Campinas

Radares flagram veículos elétricos acima de 50 km/h e avanço de sinal em Campinas

Fiscalização da Emdec registra excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e circulação irregular de ciclomotores e autopropelidos. Equipamentos que deveriam atingir até 32 km/h foram flagrados acima de 50 km/h.

Radares flagram veículos elétricos acima de 50 km/h e avanço de sinal em Campinas
Radares flagram veículos elétricos acima de 50 km/h e avanço de sinal em Campinas Arte: Equipe Campinexo

Os radares de fiscalização eletrônica de Campinas têm registrado situações de risco envolvendo condutores de ciclomotores, equipamentos de mobilidade individual autopropelidos e bicicletas elétricas. Entre os flagrantes identificados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) estão excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e circulação irregular em avenidas movimentadas.

Segundo a Emdec, imagens captadas pelos equipamentos mostram veículos circulando acima dos limites permitidos nas vias e, em determinados casos, **equipamentos autopropelidos que deveriam ter velocidade máxima de fabricação de 32 km/h ultrapassando os 50 km/h**.

As ocorrências preocupam o órgão municipal de trânsito pelo risco de colisões, atropelamentos e acidentes graves, especialmente em vias com grande circulação de automóveis, ônibus e pedestres.

Radares registram velocidades acima do permitido

Entre os locais onde a Emdec identificou situações de excesso de velocidade estão as avenidas Prefeito José Roberto Magalhães Teixeira, John Boyd Dunlop, Washington Luiz e Ruy Rodriguez.

De acordo com a empresa, alguns dos equipamentos flagrados apresentavam placas informativas sem validade oficial e circulavam a velocidades superiores a 50 km/h.

A situação levanta a possibilidade de alterações nas características originais desses veículos, como a retirada de limitadores eletrônicos de velocidade.

Pelas regras descritas pela Emdec, os equipamentos de mobilidade individual autopropelidos possuem velocidade máxima de fabricação de 32 km/h, enquanto os ciclomotores podem atingir até 50 km/h.

A empresa também identificou casos de circulação irregular em corredores exclusivos do BRT, situação que amplia o risco de acidentes envolvendo os condutores e o transporte coletivo.

Avanço de sinal vermelho coloca pedestres em risco

Além do excesso de velocidade, os radares registram situações recorrentes de desrespeito à sinalização semafórica.

Os flagrantes ocorrem em importantes corredores viários de Campinas, como as avenidas Amoreiras, John Boyd Dunlop, Norte-Sul e Ruy Rodriguez.

Segundo a Emdec, o avanço do sinal vermelho representa risco especialmente para pedestres e passageiros do transporte coletivo que utilizam as travessias dessas avenidas.

Também foram identificadas situações envolvendo condutores sem capacete, utilizando calçados inadequados ou circulando em locais incompatíveis com as características dos veículos.

O coordenador de Monitoramento e Supervisão de Radares da Emdec, Nilvando Rezende, alerta para a necessidade de respeito às normas de trânsito.

"Quem conduz estes veículos deve ter em mente que é preciso respeitar as regras de circulação previstas na legislação: respeitar os limites de velocidade e a sinalização semafórica", enfatizou.

Segundo Rezende, essas condutas podem colocar em risco não apenas a vida dos próprios condutores, mas também a dos demais usuários das vias.

Falta de emplacamento dificulta aplicação de multas

Um dos principais desafios enfrentados pela fiscalização está relacionado à ausência de identificação oficial de parte dos veículos registrados pelos radares.

A Emdec explica que muitos equipamentos circulam sem placas, inclusive ciclomotores, que possuem obrigatoriedade de registro e emplacamento.

Sem identificação regular, as infrações captadas eletronicamente não podem ser processadas da mesma forma que as registradas contra veículos devidamente emplacados.

Isso também dificulta a contabilização das ocorrências e a aplicação das penalidades por meio da fiscalização eletrônica.

A ausência de placa, porém, não significa que o condutor esteja dispensado de cumprir a legislação ou que não possa ser responsabilizado durante uma abordagem dos agentes de trânsito.

Ciclomotores precisam de placa e habilitação

Desde o encerramento do prazo de regularização, em 31 de dezembro de 2025, os ciclomotores devem estar registrados, licenciados e emplacados para circular nas vias públicas.

A exigência está relacionada às regras estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio da Resolução nº 996/2023.

Para conduzir um ciclomotor, também é necessário possuir habilitação na categoria A ou Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC).

O uso de capacete é obrigatório.

Segundo as orientações apresentadas pela Emdec, os ciclomotores podem circular em ruas e avenidas com velocidade regulamentada de até 40 km/h. A circulação em vias de trânsito rápido e rodovias é proibida, ressalvada a exceção prevista para locais com acostamento.

Emdec prepara agentes para identificar veículos irregulares

Diante do crescimento da circulação desses equipamentos, a Emdec vem realizando treinamentos para capacitar os agentes de trânsito na identificação das diferentes categorias de veículos.

Durante as abordagens, os profissionais precisam verificar características como potência do motor, dimensões, velocidade máxima de fabricação e demais especificações técnicas.

O gerente executivo de Operações, Sinalização e Obras da Emdec, Claudionir Thomás de Sá, destaca que a variedade de equipamentos disponíveis no mercado tornou a fiscalização mais complexa.

"É preciso identificar, com precisão e durante as operações integradas, as características técnicas, como dimensões, potência do motor e velocidade máxima", explicou.

De acordo com o gerente, a facilidade de aquisição desses equipamentos, muitas vezes sem orientação adequada sobre as normas de circulação, representa um desafio adicional para a segurança viária.

Entenda as diferenças entre ciclomotores, autopropelidos e bicicletas elétricas

A Emdec orienta que os condutores conheçam as características técnicas dos equipamentos antes de utilizá-los no trânsito.

**Ciclomotores**

São veículos de duas ou três rodas, equipados com motor a combustão de até 50 cilindradas ou motor elétrico de potência máxima de 4 kW.

Possuem velocidade máxima de fabricação de até 50 km/h e exigem registro, emplacamento, licenciamento e habilitação adequada.

O uso de capacete também é obrigatório.

**Equipamentos autopropelidos**

Incluem dispositivos como patinetes elétricos, skates elétricos e monociclos.

Devem respeitar os limites técnicos da categoria, como potência máxima de 1.000 watts, largura de até 70 centímetros, distância entre eixos de até 130 centímetros e velocidade máxima de fabricação de 32 km/h.

Esses equipamentos dispensam registro, placa e Carteira Nacional de Habilitação (CNH), desde que atendam às características previstas na regulamentação.

**Bicicletas elétricas**

São bicicletas com motor auxiliar acionado pelo movimento dos pedais, conhecido como pedal assistido.

A potência máxima é de 1.000 watts, com velocidade máxima de assistência do motor de 32 km/h.

Para o enquadramento nessa categoria, não podem possuir acelerador que permita a propulsão independente da pedalada.

As bicicletas elétricas também dispensam registro, emplacamento e habilitação.

Onde bicicletas elétricas e autopropelidos podem circular?

Conforme as orientações divulgadas pela Emdec, bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos podem utilizar ciclovias e ciclofaixas, observadas as regras de circulação.

Na ausência dessa infraestrutura, a circulação pode ocorrer em vias com velocidade regulamentada de até 40 km/h, respeitando o sentido do trânsito.

Esses equipamentos não podem circular em vias de trânsito rápido e rodovias.

Embora o capacete não seja obrigatório para todas essas categorias, a Emdec recomenda sua utilização como medida de proteção.

Já os veículos que ultrapassam os limites técnicos estabelecidos para os ciclomotores podem ser enquadrados como motocicletas ou motonetas, ficando sujeitos às exigências correspondentes.

Orientação é respeitar as regras e priorizar a segurança

A Emdec reforça que todos os condutores devem respeitar os limites de velocidade, a sinalização semafórica e as regras de circulação aplicáveis a cada tipo de veículo.

A empresa destaca que o uso irregular dos equipamentos pode provocar acidentes com lesões graves ou mortes, principalmente em avenidas de tráfego intenso.

A recomendação é que os usuários verifiquem as características técnicas e as exigências legais antes de adquirir ou utilizar ciclomotores, bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos.

As especificações para classificação e regularização desses veículos também podem ser consultadas nos canais oficiais do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP).

Fonte Emdec — Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas