Campinas cria alerta de calor para instituições de idosos quando temperatura atingir 32°C
Novo fluxo de comunicação utilizará dados de estações meteorológicas próximas às unidades de acolhimento. Equipes receberão orientações para prevenir desidratação e outros riscos à saúde dos idosos.
A Prefeitura de Campinas anunciou um novo sistema de alerta de calor intenso direcionado às Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), que acolhem pessoas com 60 anos ou mais. A medida prevê o envio de avisos específicos quando a temperatura na região de cada instituição atingir 32°C ou mais.
O novo fluxo de comunicação foi apresentado na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, durante reunião entre representantes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, Defesa Civil, Secretaria Municipal de Saúde e instituições de acolhimento.
A proposta é utilizar informações meteorológicas de cada região para orientar medidas de proteção aos idosos, especialmente aqueles com doenças crônicas, mobilidade reduzida ou maior vulnerabilidade aos efeitos das altas temperaturas.
Diferentemente de um aviso único para toda a cidade, as instituições receberão alertas de acordo com os dados da estação meteorológica mais próxima.
Como funcionarão os alertas de calor em Campinas?
Campinas possui atualmente 35 estações meteorológicas, distribuídas pelas regiões do município, com cerca de duas ou três unidades de monitoramento por região.
Os equipamentos registram informações sobre temperatura e umidade do ar em tempo real.
Segundo Sueli Castiglieri, da Defesa Civil, os alertas destinados às instituições considerarão os dados da estação mais próxima, em um raio aproximado de dois quilômetros.
Isso significa que duas instituições localizadas em bairros diferentes poderão receber avisos em momentos distintos, conforme as condições climáticas registradas em suas respectivas regiões.
A Defesa Civil utiliza quatro níveis de classificação para temperaturas elevadas:
Nível
Temperatura
Observação
A partir de 30°C
Atenção
A partir de 32°C
Alerta
A partir de 35°C
Alerta máximo
Acima de 37°C
No fluxo apresentado para as instituições de idosos, a temperatura de 32°C será a referência para o envio dos avisos específicos.
Instituições receberão orientações por WhatsApp
O sistema será organizado por meio da integração entre a Defesa Civil e a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social.
A comunicação chegará inicialmente à assistente social Edna de Carvalho de Lara, técnica de referência do Serviço de Proteção em Situações de Calamidades Públicas e de Emergências.
Ela representa a secretaria no comitê da Operação Chuvas de Verão.
A partir desse contato, a área de Proteção Social Especial encaminhará os alertas às instituições de acolhimento por WhatsApp, com registro também por e-mail.
O modelo segue uma estratégia semelhante à adotada pela Secretaria Municipal de Educação, que utiliza avisos meteorológicos para orientar a suspensão de atividades escolares ao ar livre durante períodos de calor intenso.
A secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro, destacou a necessidade de atenção especial às pessoas mais vulneráveis.
“As condições climáticas atingem a cidade inteira, mas nós temos a responsabilidade de cuidar daqueles que estão em situação de vulnerabilidade”, afirmou.
Segundo a secretária, o fluxo começará pelas instituições de acolhimento de idosos e deverá ser ampliado para abrigos de crianças e adolescentes, residências destinadas a pessoas com deficiência e serviços de atendimento domiciliar.
Por que o calor intenso oferece mais riscos às pessoas idosas?
Durante a reunião, Priscilla Pegoraro, da área de articulação intersetorial da Secretaria Municipal de Saúde, explicou que o envelhecimento pode comprometer a capacidade do organismo de regular a própria temperatura.
Outro fator importante é a redução da percepção de sede, que pode fazer com que a pessoa idosa não perceba a necessidade de ingerir líquidos.
“A pessoa idosa sente menos sede, e o fato de sentir menos sede vai fazer com que ela desidrate de uma maneira mais rápida”, explicou.
Pessoas com doenças crônicas ou que utilizam vários medicamentos também podem apresentar maior vulnerabilidade durante ondas de calor.
Por isso, as equipes das instituições receberão orientações para identificar sinais de desconforto e adotar medidas preventivas.
Cinco cuidados recomendados para proteger idosos durante o calor
A Prefeitura preparou um material com cinco orientações destinadas às equipes responsáveis pelo acolhimento.
1. Oferecer líquidos regularmente
Água e outros líquidos devem ser oferecidos várias vezes ao dia, sem esperar que a pessoa manifeste sede. Quem tem dificuldade para engolir pode precisar de auxílio individualizado.
Nos casos de restrição de líquidos, especialmente entre pessoas com doenças cardíacas ou renais, qualquer aumento na hidratação precisa ser avaliado pela equipe de saúde.
2. Manter os ambientes ventilados
Quartos e salas de convivência devem permanecer ventilados, com proteção contra a incidência direta do sol.
O objetivo é reduzir a exposição prolongada a temperaturas elevadas dentro das instituições.
3. Evitar exposição solar nos horários mais quentes
A recomendação é evitar atividades ao sol entre 10h e 16h.
O banho de sol pode ser mantido em horários de temperatura mais amena, como no início da manhã ou no fim da tarde.
4. Reforçar o acompanhamento de pessoas mais vulneráveis
Pessoas acamadas, com mobilidade reduzida, doenças crônicas ou maior fragilidade precisam de acompanhamento mais próximo.
Os medicamentos devem continuar sendo administrados conforme a prescrição médica.
5. Reconhecer sinais de alerta
As equipes devem observar sintomas como fraqueza, tontura, dor de cabeça, cãibras, sonolência, confusão mental e desmaio.
Diante de sinais de mal-estar, é importante levar a pessoa para um ambiente mais fresco e avaliar sua condição. Sintomas graves, como confusão mental ou perda de consciência, exigem atendimento de emergência imediato.
O Samu pode ser acionado pelo telefone 192.
Equipes devem prestar atenção à temperatura corporal
Durante a reunião, profissionais também discutiram situações em que pessoas idosas solicitam cobertores mesmo quando o ambiente está quente.
A orientação apresentada pela equipe de Saúde é verificar a temperatura corporal antes de atender ao pedido.
Conforme o material discutido, temperaturas corporais acima de 37°C exigem atenção ao excesso de cobertas, enquanto registros superiores a 40°C representam uma emergência médica.
A avaliação deve considerar o estado clínico da pessoa, os sintomas apresentados e a orientação dos profissionais de saúde.
Cada instituição de acolhimento possui um centro de saúde de referência para esclarecer dúvidas sobre os cuidados necessários.
Trabalhadores das instituições também precisam de proteção
Outro assunto abordado durante a reunião foi a exposição dos funcionários às altas temperaturas, especialmente daqueles que trabalham em cozinhas.
Representantes das instituições relataram dificuldades relacionadas ao uso de ventiladores nesses ambientes, devido às exigências sanitárias.
Como medida de proteção, Priscilla Pegoraro apresentou a recomendação de organizar pausas de 10 a 15 minutos a cada 45 ou 50 minutos de trabalho, em ambientes com maior conforto térmico.
A profissional também informou que solicitará ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador e à Vigilância Sanitária a elaboração de material técnico sobre o assunto.
Campinas tem mais de 209 mil moradores com 60 anos ou mais
Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Campinas possui mais de 209 mil moradores com 60 anos ou mais, correspondentes a 18,4% da população naquele levantamento.
O tamanho desse grupo reforça a importância do planejamento de políticas públicas para prevenção de riscos à saúde durante períodos de temperaturas extremas.
De acordo com a Defesa Civil, Campinas registrou quatro alertas de onda de calor somente em setembro de 2026.
A Operação Chuvas de Verão e Enfrentamento aos Efeitos do El Niño 2026/2027 foi antecipada para 14 de outubro de 2026 e tem previsão de continuidade até 31 de março de 2027.
Nesse período, o município manterá ações voltadas à prevenção dos impactos das condições climáticas, incluindo episódios de calor intenso e chuva forte.
Como receber alertas da Defesa Civil de Campinas?
Além do novo sistema voltado às instituições de acolhimento, qualquer morador pode se cadastrar para receber avisos da Defesa Civil.
Alertas por SMS: envie o CEP da região para o número 40199.
Alertas por WhatsApp: cadastro pelo número (61) 2034-4611.
Emergências da Defesa Civil: telefone 199.
Emergências médicas — Samu: telefone 192.
Os alertas ajudam a população a acompanhar situações de risco e adotar medidas preventivas diante de mudanças nas condições climáticas.
Fonte: Prefeitura Municipal de Campinas — Secretarias de Desenvolvimento e Assistência Social e Saúde e Defesa Civil. Informações divulgadas em 28 de outubro de 2026, às 17h02.
